Estudantes de Lisboa querem autocarros diretos entre Ajuda e Cidade Universitária

Estudantes de Lisboa querem autocarros diretos entre Ajuda e Cidade Universitária

A Associação Académica da Universidade de Lisboa pede autocarros diretos entre os campus da cidade e melhores ligações na Ajuda. A Carris não antevê ainda mudanças concretas, enquanto revê a rede na cidade.

Gonçalo Costa Martins - RTP Antena 1 /
Filipe Silva - RTP

A associação académica considera que os problemas de mobilidade já foram piores no polo universitário da Ajuda, onde os autocarros são o único meio de transporte público existente, mas o diagnóstico continua a não ser positivo.

"A questão que nos aflige sempre é a pouca integração e coordenação entre estas carreiras e outros tipos de transportes públicos, que muitas vezes são mais centrais no uso da cidade", aponta Gonçalo Osório de Castro, presidente da Associação Académica da Universidade de Lisboa (AAUL).

No final de fevereiro, a AAUL apresentou uma proposta à Carris com ideias para a mobilidade dos estudantes da Ajuda: o prolongamento do 771 à Cidade Universitária é uma das principais exigências.

Esta carreira vai da Boa Hora a Sete Rios, passando pelo campus da Ajuda. A proposta é que uma das paragens terminais passe de Sete Rios para a Cidade Universitária, de forma "a ter esta interligação entre os dois maiores campus".

Facilitar a vida a quem tem aulas ou treinos desportivos nos dois polos e promover o convívio são objetivos defendidos pela AAUL com a extensão, acreditando que é possível menos transbordos e ganhos de tempo até 30 minutos. Carris espera pelos estudos da nova rede
Há cinco carreiras diurnas que passam pela Avenida Universidade Técnica, no polo da Ajuda. Em três - o 723, o 729 e o 771 - a associação aponta situações de encurtamentos, supressões, oferta insuficiente em alguns horários e sobrelotações de autocarros.

"Sugiro que as pessoas vão durante 45 minutos ao campus da Ajuda ver os autocarros a passar e perceberem a questão da sobrelotação, por exemplo", desafia Gonçalo Osório de Castro, em que fala de uma "uma necessidade de se aumentar a oferta de transportes públicos e de carreiras" e também nos horários dos autocarros que já existem.

"Os nossos colegas sentem que está ali um problema de sobrelotação grave", afirma.
Portugal em Direto | 15 de abril de 2026

Os estudantes pós-laborais têm menos oferta à noite: o 723, o 729 e o 760 realizam rotas mais curtas a partir das 21h00/22h00, enquanto o 771 não tem horários a partir das 22h00.

Quando reuníram com a Carris no final de fevereiro, o presidente da AAUL diz que a proposta "foi recebida com bons olhos" e que "iam ter em conta a nossa proposta" no âmbito da revisão em curso da rede de autocarros em Lisboa.

Questionada pela RTP Antena 1, a operadora municipal não antevê mudanças concretas para já. "Em relação às carreiras e horários referidos, a Carris aguardará pela conclusão das fases de estudo para tomar uma decisão definitiva", afirma.

A transportadora refere que, no plano de revisão da rede, "pretende envolver entidades que possam dar contributos relevantes para o redesenho dos serviços", para perceber as necessidades dentro de Lisboa. Garante também que gere a sua operação em tempo real "ajustando a oferta para minimizar o impacto para os clientes e assegurar um equilíbrio operacional", embora não detalhe nenhuma medida específica na Ajuda.

No plano político, a Assembleia Municipal de Lisboa aprovou por unanimidade uma recomendação do PSD - partido que governa a câmara - para melhorar a ligação em transporte público entre a Cidade Universitária e o polo da Ajuda.

A Câmara de Lisboa não comentou à RTP Antena 1 esta recomendação, remetendo apenas para as respostas da Carris.
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